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Diário

10 sinais evidentes da crise italiana

Quem visita a Itália como turista provavelmente tem uma percepção diferente daquela de quem vive no país e observa cotidianamente a realidade que lhe circunda.

Aqueles que ocupam os vértices institucionais italianos continuam afirmando que estamos levando adiante reformas que deverão combater a recessão e incidir positivamente na vida de cada cidadão.

No entanto, o desemprego e os cortes nos serviços públicos continuam crescendo.

Na prática, o drama de centenas de famílias é mais eloquente do que qualquer estatística e basta olhar ao nosso redor para constatar que a situação italiana é cada vez mais deteriorada.

Vou reunir nesse post alguns sinais de que estamos longe de sair da crise.

Casas ocupadas: Nas últimas semanas o medo dos moradores de casas populares, principalmente na cidade de Milão, é cada vez maior.

protesto em Roma

Do início do ano até hoje, cerca de 1.400 casas da cidade foram ocupadas abusivamente.

O fênomeno não é uma exclusividade do norte da Itália.

Segundo o jornal Corriere della Sera, pagando entre 500 e 800 euros, é possível “contratar” um “profissional” disposto a arrombar a porta de uma casa e ocupá-la

Muitos moradores nem saem de casa para não correr esse risco.

Confrontos entre italianos e imigrantes: O bairro de Tor Sapienza, na periferia romana, é só a ponta de um iceberg.

Na verdade, a tensão entre italianos e imigrantes é cada vez mais evidente.

Semana passada residentes do bairro expulsaram de um bar refugiados acolhidos em um centro social e o conflito exigiu a intervenção da polícia.

O motivo, sustentam os moradores, não é o racismo, mas as difíceis condições de vida no bairro, agravadas pelo aumento da violência que muitos atribuem à preseça de imigrantes e a falta de policiamento.

immigrati a Roma

Pobreza infantil: A crise econômica afetou drasticamente a qualidade de vida das crianças italianas.

De acordo com o relatório da Unicef chamado “Filhos da recessão”, atualmente a Itália registra 600 mil casos a mais de pobreza em relação a 2008 e uma de cada três crianças do país vive em condições precárias.

Segundo Save the Children, uma de cada quarto crianças não pratica uma atividade esportiva por motivos econômicos e 73% delas passa o tempo livre em casa.

A situação é alarmante. Segundo a Fondazione Banco Farmaceutico, cerca de 112 mil menores são vítimas do fenômeno conhecido como “pobreza sanitária”, ou seja, correm o risco de não poder comprar remédios, fraldas e leite em pó.

Hábitos alimentares: Com a crise, o consumo de alimentos sofreu uma queda drástica. De acordo com uma pesquisa realizada pelo jornal La Repubblica, os gastos dos italianos com produtos alimentares diminuiu e podem ser comparados aqueles de 1981, ou seja, mais de 30 anos atrás.

O peixe ocupa o topo do ranking dos produtos mais “cortados” da lista as compras, seguido pelo macarrão, leite e azeite. Em compensação, aumentou o consumo de produtos como farinha e mel.

Os italianos passaram a economizar em qualidade e quantidade. Prova disso é que, segundo o Istat (Instituto de estatísticas italiano), o número de pessoas que passou a fazer compras nos chamados “hard discounts” cresceu de 12,3% para 14,4% em 2014.

Compro ouro: Até ano passado, a solução encontrada por muitos italianos que não conseguiam pagar as próprias contas era vender as jóias de família para os chamados “compro ouro”.

A situação hoje parece ser ainda mais dramática porque 1/3 dessas lojas fechou esse ano. Sinal que não há mais nada a ser vendido.

Roma, Itália

Crescimento zero: O PIB italiano é negativo desde 2011 e de 2000 até hoje só diminuiu.

Na União Européia o único país com uma situação mais desatrosa do que aquela italiana é Cipro. Até a Grécia deu sinais de recuperação.

Lixo: A realidade é triste. Em vários bairros da cidade é fácil cruzar com pessoas que revistam os sacos de lixo à procura de algo que pode ser reaproveitado. E nem sempre são nômades.

Venda e troca de usados: Aquilo que é usado é cada vez mais precioso e quem pode inscreve-se em sites para vender ou trocar objetos ou frequenta mercadinhos de roupas e eletrodomésticos.

Greves: Descontentamento geral, cortes salariais e menos garantias provocaram um aumento das greves e de manifestações para protestar contras as medidas adotadas pelo governo.

Transporte alternativo: Com a crise as vendas de automóveis e motocicletas cairam e aumentaram aquelas de bicicletas e o uso de alternativas como o car-sharing.

This article has 5 comments

  1. Ilma Madureira

    Pois é. A situaçao esta bem complicada para muitos países. Tomara passe rápido.

  2. Anelise Sanchez

    Ilma, infelizmente as previsões para 2015 tb não são boas…

  3. Elizabeth

    Usei muitas dicas do blog para nossa viagem à Itália… E foram preciosas. Ficamos 30 dias, além das cidades turfísticas visitamos o interior, foi exatamente o que presenciamos, uma séria crise econômica, os pontos de compra de ouro, que hoje não se vê mais no Brasil nos chamou atenção. Muitos amigos que viajam em excursões , deixaram escapar, que talvez nós tivéssemos exagerando sobre o que vimos.

  4. Anelise Sanchez

    Isso mesmo, Elisabeth, so quem vive aqui e presencia todos os dias essas situações difíceis se da conta de como o pais mudou para pior nos últimos anos.
    A lista tinha so 10 sinais de crise, mas na verdade poderíamos elencar muito mais…
    abs,
    Anelise

  5. Anelise Sanchez

    Agradecemos por terem compartilhado!

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