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cidade da Toscana, Itália
DiárioSexto Sentido

Viver na Itália, onde você ainda sabe o nome dos seus vizinhos.

Conversando com uma cara amiga sobre o que mais pesa para quem mora em uma metrópole como São Paulo a resposta foi, obviamente, a violência.

No ranking divulgado pela revista Exame, no último mês de janeiro, sobre as 30 cidades mais violentas do mundo, 11 delas são brasileiras.

No mapa nacional de violência urbana, Maceió ocupa o primeiro lugar. Pra nós, brasileiros, o medo torna-se algo quase fisiológico.

cenas de vida na Itália

Lembro que assim que me mudei definitivamente para Roma, tinha o costume de deixar as grades do meu apartamento fechadas mesmo quando estava em casa.

Meu marido achava esse comportamento estranho, enquanto eu considerava quase surreal o fato que, em pequenas cidades cidades italianas, era normal deixar as chaves do lado de fora da porta.

Comecei a relaxar um pouquinho quando um dia esqueci meu cartão de crédito no supermercado e, no dia seguinte, quando me dei conta do ocorrido, ele ainda estava lá, intacto.

Ou quando as chaves da moto estacionada de noite, na rua, ficaram no motor e ninguém tentou roubá-la.

paisagem toscana

Claro que a cidade eterna não é imune à violência e que, assim como os residentes em outras capitais, também enfrentamos problemas. Um deles é o isolamento, a indiferença.

Vira e mexe a mídia italiana publica notícias de pessoas que morreram dentro das próprias casas, cujos corpos foram descobertos semanas depois, porque ninguém havia notado a falta delas.

Quem mora em cidade grande está tão atarefado que não tem tempo para cultivar relações sociais. Quantos de nós sabe o nome do próprio vizinho?

Pensando nisso, em muitas cidades italianas nasceram recentemente as chamadas “social streets”, ou seja, uma iniciativa para criar uma espécie de rede de boa vizinhança.

A primeira delas foi criada em Bolonha, mas atualmente-se estima-se que existam no país cerca de 180 “social streets”.

Toscana

Geralmente, tudo nasce a partir de uma página Facebook criada com o nome da própria rua dos moradores.

Em seguida, a adesão à página pode transformar-se relacionamentos reais, em troca de idéias, em mútuo auxílio entre os moradores da mesma rua.

Todo mundo participa ativamente de atividades como bookcrossing, para organizar um serviço de baby-sitter de grupo, para dividir os custos de uma compra no atacado, promover cursos, para trocar o número de telefone com outros profissionais como médicos e eletricistas ou, simplesmente, para encontrar um parceiro disposto a fazer jogging contigo.

Não é raro que nossos filhos brinquem sozinhos. Falta coragem de dar o primeiro passo, de superar a desconfiança e alimentar amizades com nossos vizinhos.

Quando eu era criança, mesmo morando em cidade grande, ainda tive a sorte de correr e ralar o joelho na rua, improvisar um acampamento na calçada, brincar de amarelinha, acariciar um gato e bater papo no muro com as minhas vizinhas.

Minha filha não tem essa sorte, mas iniciativas assim nos fazem pensar que não é muito tarde para recriar o espírito de comunidade.

This article has 4 comments

  1. anonimangdv

    Mas Roma é muito perigosa, ainda. No nosso primeiro dia lá, estavamos na estação de metrô quando uma mulher puxou a bolsa da minha tia. (no final, minha tia e ela se bateram e minha tia ficou com a bolsa!)
    Mas nunca mais quero voltar lá!

  2. Ricardo Dellai

    Conheci 16 cidades na última viagem a itália. E me desculpe, mas roma é insegura sim. Mataram um albanês a facadas no metrô vittorio emanuele que eu passava todos os dias, pois ficava perto do meu B&B o therma di traiano.

    Fiquei 1 semana em roma e odiei-a cidade cheia de mendigos,monumentos pichados,defecados e sensação de insegurança. Tinha lido tudo isso pela internet e já sabia que era furada só que praticamente ganhei a passagem e meu retorno era no fiumicino. Então tive que encarar.

    Sempre andava bem ligado em Roma i Milano me sentia como em são paulo, vi os borsiattore atuando, mas já estava safo com isso. Firenze tb não fui com a cara.

    Bologna também muitos drogaditos quase sentei a mão em um no mcdonalds em frente ao hotel mercure bologna em que fiquei, mas um carabinieri entrou e deixei quieto.

    Agora tranquilidade senti em:venezia, venezia mestre que falavam que era perigosa andava na rua às 2 da manhã sem problemas. E também em maranello,modena,rimini,san marino,siena,san gimignano,verona e lago di garda nestes lugares me senti seguro e tranquilo. Ali realmente era melhor do que o Brasil que é um lixão. rs

    Queria ir em napoli mas quando estava em torino como falo italiano conversei muito com comerciantes, moglie etc e todos falavam que era furada eu ir ainda mais que estava sozinho. Perdi até a passagem do freccirossa que havia comprado de roma a napoli. Como já estava com o pé detonado de tanto andar perdi o tesão.

    Realmente ainda tem uma parte da itália que vive em paz e parece outro mundo.

  3. Ricardo Dellai

    Nesta pousada que fiquei em roma therme di traiano (400 mts do coliseu ao lado do parque ópio) tinha 4 chaves para entrar daí vê o nível de preocupação. Roma é perigosa e muito.

  4. Ricardo Dellai

    Quando estava lá uma garota de recife me relatou um caso parecido só que abriram a bolsa dela com estilete, mas não levaram nada. Ela me relatou isso quando eu estava no coliseu. Situação surreal no coliseu que era o meu sonho de infância conhece-lo, uma pessoa me relatando que quase foi furtada. rs

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