turismo na Itália
Sexto Sentido

Ainda existe o turista off-line?

Na última quarta-feira, 30 de julho, uma matéria publicada pelo jornal italiano “La Repubblica” provocou muitas discussões.

O artigo, assinado pelo arqueólogo Salvatore Settis, era uma análise sobre o futuro dos museus na era do “turismo relâmpago”.

Considerando que muitos dos estrangeiros que visitam a Itália optam pelo bate-volta e, raramente, acabam prolungando a própria estadia em cidades como Florença ou Veneza, ainda há sentido falar em visitas a museus como uma experiência cultural?

Na opinião do autor, a ida ao museu tranformou-se, simplesmente, em uma etapa obrigatória para realizar “selfies” que comprovem on-line a nossa presença no exterior. Nada a ver com o prazer visual, estético, de contemplar a arte. Pessimista?

De Settis sustenta que, por exemplo, diante de uma obra-prima como “La Gioconda”, poucos turistas vivenciam a experiência de observar o quadro com atenção, gesto que farão em seguida, olhando o próprio smartphone.

O arqueólogo acredita que as pessoas fazem determinadas coisas só para compartilhá-la em um social network enquanto que, no passado, era comum sentar diante de uma obra de arte e, por exemplo, tentar desenhá-la, com lentidão.

Se Monet ou Michelangelo fossem munidos de um iphone ou um blackberry, provavelmente hoje não poderíamos contemplar belezas como “As Ninféias” ou a Capela Sistina.

Settis não é o único que pensa dessa maneira.

Sherry Turkle, professora de sociologia di sociologia do MIT, em Boston, considera o cidadão contemporâneo um “itself”, ou seja, um ser dividido entre a tela e a realidade física.

A estudiosa afirma que esperamos cada vez mais da tecnologia e sempre menos das pessoas que nos circundam.

Para Settis, a percentual de estrangeiros que ousam ir além da visita aos principais museus para dedicar-se aqueles menos famosos ainda é irrisória. Ou pior, museus de pequena dimensão mas com um relevante patrimônio artístico são ignorados pelo turismo de massa.

Refletindo sobre essa afirmação, pensamos em sugerir aos leitores do Turismo em Roma cinco magníficas obras de arte pouco conhecidas que podem ser facilmente visitadas na capital.

  1. Nos arredores do Pantheon fica a igreja de Santa Maria Sopra Minerva que, além de abrigar o “Cristo Risorto” esculpido por Michelangelo e o túmulo de Santa Catarina da Siena orgulha-se de sua Cappella Carafa, um espaço repleto de afrescos realizados por Filippino Lippi por volta de 1489. Um deleite para os olhos e um alimento para a alma.
  1. Quem lê o blog sabe porque já citamos essa obra, que merece ser relembrada. “L’estasi della Beata Ludovica Albertoni” é uma das esculturas mais impressionantes de Bernini. Esculpida a partir de 1674, encontra-se na igreja de San Francesco a Ripa, no bairro de Trastevere.
  1. Na rua símbolo da Dolce Vita, a famosa Via Veneto, fica a igreja de Santa Maria della Concezione dei Capuccini, encomendada pela poderosa família Barberini. Lá encontra-se uma obra de arte muito importante: “L’Arcangelo Michele che caccia Lucifero” (O arcanjo Miguel derrotando Lúcifer, Satanás), de Guido Reni.
  1. Na Piazza del Popolo, na igreja Santa Maria del Popolo, dedique diversos minutos para a contemplação das obras “A Conversão de São Paulo” e a “Crucificação de São Pedro”, de Caravaggio. 
  2. Na igreja de Santa Cecilia in Trastevere encontra-se a obra “Giudizio Universale” (1293) de Pietro Cavallini, o provável maestro de Giotto. Destruída pelo tempo, a obra foi parcialmente recuperada e só pode ser visualizada pelo ingresso do coro do monastério das freiras benedetinas de clausura de Santa Cecilia (Piazza Santa Cecilia, 22), de segunda à sexta-feira, das 10h às 12h30.

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