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Governo italiano pensa em multas para desincentivar o uso de palavras estrangeiras

Pronunciar palavras como “gap”, “weekend”, “feedback”, “export” ou “mission” pode custar caro aos italianos.

Um projeto de lei propõe multas que oscilariam entre 5 e 100 mil euros para aqueles que privilegiarem o uso de termos em inglês ao invés de vocábulos italianos.

A proposta ainda não foi submetida ao debate parlamentar, mas deixa claro que, sobretudo em contextos institucionais ou em casos de exposição na mídia, principalmente os funcionários públicos devem evitar o uso de palavras estrangeiras.

Quem vencerá o braço de ferro entre puristas e o estrangeirismo? Será mesmo que esses empréstimos linguísticos incorporados naturalmente ao nosso cotidiano representam uma ameaça ao idioma e ao patrimônio imaterial da Itália?

A Accademia della Crusca, que poderia ser comparada à Academia Brasileira de Letras, responde que “não” porque a língua italiana sempre foi influenciada por diferentes línguas.

Serve mesmo a coerção para abolir o uso de estrangeirismos? Fazendo uma breve retrospectiva histórica, nem todos os brasileiros sabem que durante o fascismo o uso de palavras estrangeiras era proibido. Foi assim que Mickey Mouse foi batizado de Topolino. Que hotel foi traduzido com o albergo e volleyball como pallavolo. Nomes próprios como Karl Marx eram traduzidos como Carlo Marx.

Indo mais além, o estrangeiro só era admitido em uma ótica colonialista. Foi durante esse período que formatos de macarrão recebiam nomes como abissine, em alusão à invasão italiana fascista na Etiópia. Para saber mais sobre esse tema, leia o artigo especial que escrevi, intitulado Quando os imperialistas éramos nós, contando uma história de família, aqui.

Em 2023 o tema da supremacia linguística volta a ocupar o debate nacional, mas fazendo um esforço com nossa imaginação, se as palavras superassem a barreira lexical e se transformassem em pessoas de carne e osso, seriam elas hoje consideradas intrusas? O que pensa a respeito?

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