Bruxelas além do óbvio. Place du Jeu de Balle, onde a cidade desacelera
Entre as agradáveis descobertas nos arredores da Place du Jeu de Balle e seu caraterístico mercado de antiguidades está o laboratório de dois jovens artesãos que transformam madeira em arte
Ao lado da Bruxelas composta por pessoas de terno que se deslocam apressadas, muitas vezes para chegar até o escritório de uma instituição europeia existe uma cidade que privilegia o rimo lento.
No distrito de Marolles fica a Place du Jeu de Balle, praça projetada em 1854 e caracterizada por uma igreja.
Incialmente, ela se chamava Vossenplein (Praça das raposas), mas em seguida adotou seu nome atual em homenagem a um popular jogo com bola, – frisian handball– praticado no século XIX.
Aqui, desde 1919 acontece diariamente um marché aux puces (mercado de pulgas).
A maioria dos vendedores são a expressão da Bruxelas multiétnica e, todos os dias, moradores da cidade, apaixonados por antiguidades, turistas e curiosos invadem a praça a procura de um objeto que transmita alguma emoção.
Frequentadores de um Flea Market nunca compram por comprar.
Imaginar o seu passado, o seu antigo proprietário e como determinado objeto chegou até o mercado faz parte da dinâmica fetichista de quem adora antiguidades e não as considera meras quinquilharias.
Na Place du Jeu de Balle ninguém tem pressa e pechinchar faz parte da diversão. Não importa qual seja o objeto do desejo: uma coleção de revistas dos anos 50, uma xícara de porcelana, roupas de segunda mão, uma máquina fotográfica ou um violão.
Ao redor da praça ficam bistrôs e cafés onde você pode se sentar e observar com calma o movimento e cantinhos pitorescos como aquele ocupado por uma antiga publicidade e um sebo (L’imaginarie) com livros de todos os tipos, inclusive fotográficos, com velhas imagens de Bruxelas do passado.
Eu sempre costumo dizer que “as viagens são as pessoas” e, virando a esquina (na Rue du Chevreuil 16), me deparo com a vitrine de um laboratório que chama a minha atenção.
O aroma de madeira perfumada invade o ambiente. Estamos no Atelier Falaise, onde dois jovens – Camille Tan e Alexis Mazin – transformam tábuas recicladas em objetos de design arrojado: lâmpadas, maçanetas, móveis.
Antigo e moderno se mesclam perfeitamente. Nem tudo é o que parece. Cada peça é única porque é essencial e dispensa ornamentos.
Um dos artesãos, Alexis, nos acolhe com um sorriso e a conversa flui. Nos mostra os seus instrumentos de trabalho. Nos conta que é originário de Toulouse, na França, que estão preparando obra para um museu italiano e que ele adora a vibrante Nápoles.
Comento que também não imaginava encontrar em Bruxelas um lado efervescente e caótico, assim como costumamos definir essa cidade do sul da Itália.
Para quem passa pelos arredores da Place du Jeu de Balle, o laboratório Atelier Falaise é um refúgio para uma pausa, para uma conversa, para interagir com a comunidade local.
Ali, o zumbido do mercado é um ruído de fundo e trilha sonora que inspira a criação.















