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Vinhos de meditação italianos: um convite para uma vida slow

Um dia frio. Ou nem tanto. Uma boa companhia. Para homenagear um amigo ou presentear si mesmo. Toda desculpa é válida para saborear um vinho de meditação. Quem viaja para a Itália geralmente aproveita a chance de encontrar-se em um país com grande tradição enológica para degustar ou levar para casa garrafas com as melhores etiquetas. Para os italianos, beber vinhos é um gesto cotidiano. Tintos, brancos e rosados nunca faltam em suas mesas, no almoço ou no jantar.

vinhos, Itália

O hábito de consumir vinhos ou bebidas alcoólicas, no entanto, não limita-se às principais refeições. Todo mundo sabe que a Itália é território de “buongustai” (comilões) e que ocasiões específicas exigem vinhos especiais. Para acompanhar doces e sobremesas, além do clássico prosecco o vasto panorama enológico italiano oferece alternativas como vini dolci, moscati, passiti (com uvas passificadas) e vini invecchiati (envelhecidos).

vinhos de meditação italianos

Os chamados “vinhos de sobremesa ou de meditação” são aqueles que não acompanham as refeições principais, mas são ideais para serem degustados durante um momento de reflexão, no meio de uma prosa, com o charuto (para quem fuma) ou enquanto se lê um bom livro. São vinhos que não aceitam um meio-termo e exigem tempo e respeito. Tempo para decifrar tudo aquilo que se deposita em um cálice: tonalidade, complexidade de aromas, intensidade, sabor. Respeito pelo árduo trabalho de produtores que dedicam-se a uma agricultura às vezes heroica, que enfrenta oscilações climáticas, safras melhores ou piores, terrenos hostis e traduzem todos esses elementos em um vinho.

Itália, vinhos

O que distingue os vinhos tradicionais (vini da pasto) do “vini passiti o da meditazione” é, principalmente, o método de produção. Em um passito as uvas desidratam-se normalmente no pé, com a colheita tardia, ou por secagem ao sol sobre treliças. Um exemplo de um produto excelente realizado com uvas secas na planta é o Moscato di Trani, originário da região da Puglia.

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Um passito também pode ser “botritizzato”, ou seja, aquele em que as suas uvas são agredidas e contaminadas pelo Botrytis Cinerea, um fungo nobre que ataca a fruta, provocando seu ressecamento e aumentando a sua concentração de açúcar. O resultado são vinhos de excelente qualidade e aromas raros. Na região da Úmbria, os muffati originários de Orvieto e arredores são ótimos vinhos botritizzati. Além do clássico Vinsanto, especialidade Toscana que geralmente acompanha doces secos como os cantuccini, um de meus vinhos preferidos é o Passito di Pantelleria.

vinhos de meditação italianos

Orvieto, Úmbria

Pantelleria é uma ilha de origem vulcânica da Sicília caracterizada pelos fortes ventos quentes que chegam do continente africano, como o SciroccoEm Pantelleria, as vinhas são baixas e são plantadas em cavidades que chegam até trinta centímetros de evitar que suas folhas e frutos sofram com a ação do vento e permitir que suas raízes possam absorver a água das chuvas. As protagonistas do Passito di Pantelleria são as uvas Moscato, também conhecidas como Zibibbo e o seu processo de fabricação pode variar de produtor a produtor.

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Em geral, uma parte das uvas é colhida e vinificada enquanto o restante é exposto ao sol para serem passificadas durante um período que oscila entre uma e quatro semanas. Em seguida, as uvas que se desidrataram são adicionadas ao vinho obtido inicialmente e se dá continuidade ao processo de fermentação. A última fase é aquela de “affinamento” ou amadurecimento entre 15 e 18 meses em barris de madeira e outros seis meses na garrafa antes que o produto chegue até o consumidor. Critérios como rendimento, percentual de uvas passificadas e os índices de açúcar e álcool incidem na determinação das denominações de Passito ou Moscato.

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Outro “vinho de meditação” que você deve provar em sua próxima viagem à Itália é o Barolo Chinato, um produto que na verdade não nasceu com a finalidade de premiar nossas papilas gustativas.

O Barolo Chinato é produzido na região do Piemonte, região de invernos muito rigorosos. Ao que tudo indica ele foi inventado por um farmacêutico. Astuto, ele pensou em acrescentar ervas medicinais a uma de suas barricas de Barolo e doses generosas de quina, uma planta da família das Rubiáceas. Para compensar a sua amargura, adoçou o elixir com açúcar. A bebida ficou conhecida como Barolo Chinato e seu sabor agridoce e sua consistência licorosa são muito peculiares. Sua cor é rubi com tons alaranjados e o seu aroma é levemente balsâmico.

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Com vinhos tão especiais, a escolha do cálice também é importante. Prefira aqueles de “barriga” larga e boca estreita porque a sua forma retém por mais tempo os perfumes dos vinhos de meditação e os conduzem diretamente até o nariz.

Preços médios dos vinhos citados no artigo, se comprados na Itália. Obviamente, sujeito a variações de acordo com o ano e cantiga de produção: Moscato di Trani (15 euros),  Muffato Calcaia (38 euros), Vinsanto (19 euros), Passito di Pantelleria (19 euros), Barolo Chinato: 35 euros.

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