A Itália é muito mais complexa do que parece no mapa: Vaticano e San Marino
Se você observar o atlas, verá um país que ocupa praticamente toda a península, mas que conserva uma peculiaridade.
A Itália abriga dois Estados independentes em seu território geográfico: o Vaticano e San Marino. Um exemplo de como fronteiras não são apenas linhas desenhadas em um mapa e de uma história que envolve soberania, fronteiras, religião, tratados internacionais e o conceito de extraterritorialidade.
No coração de Roma existe um Estado soberano, aquele Vaticano, que possui apenas de 44 hectares e é considerado o menor Estado do mundo em extensão territorial.
Sua criação como Estado soberano está ligada aos Tratados de Latrão, assinados em 1929 entre o Reino da Itália e a Santa Sé.
Isso significa que o Vaticano possui território, governo, leis próprias e relações diplomáticas.
Por isso, ao atravessar determinados pontos da fronteira entre Roma e o Vaticano, você está, juridicamente, entrando em outro país.
Você provavelmente já ouviu dizer que determinados locais ligados ao Vaticano, como as quatro basílicas papais em Roma, são “extraterritoriais. Isso significa que elas estão fisicamente na Itália, mas possem status jurídico especial concedido à Santa Sé graças a um acordo.
Mas isso não significa necessariamente que esses locais sejam território do Vaticano.
O conceito está relacionado a status jurídicos especiais, imunidades e garantias reconhecidas por acordos internacionais.
Outro caso extraordinário encontra-se no norte da península italiana, próximo à costa do Adriático: San Marino.
San Marino é uma república soberana, com suas próprias instituições, legislação e relações internacionais.
Geograficamente, ele é um exemplo de enclave: um Estado de 61,5 km quadrados e 42 mil habitantes completamente cercado pelo território de outro Estado e considerado uma das repúblicas mais antigas do mundo.
A história começa com Marino, um pedreiro cristão originário de uma ilha no atual território da Croácia.
Por volta do ano 301 d.C., ele teria chegado à região do Monte Titano para formar uma pequena comunidade cristã e fugir da perseguição do imperador Diocleciano.
Segundo a tradição, antes de morrer Marino teria dito:
“Deixo-vos livres de ambos os homens.”, referindo-se às figuras do imperador e do Papa.
A frase é tradicionalmente interpretada como um desejo de independência tanto da autoridade religiosa quanto da política.
Quando a Itália se unificou a Península Itálica passou por enormes transformações.
San Marino, porém, conseguiu manter sua independência.
Em 1862, assinou um tratado de amizade e cooperação com o recém-formado Reino da Itália.
Já conhecia essas particularidades da Itália?
